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IoT no Brasil 2026: O que é necessário para fazer a demanda crescer

Publicado por Virtueyes
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IoT no Brasil 2026: O que é necessário para fazer a demanda crescer

IoT no Brasil 2026: O que é necessário para fazer a demanda crescer

Por Israel Peixoto – CTO Virtueyes

O estudo Panorama do IoT no Brasil 2026, realizado pela ABINC – Associação Brasileira da Internet das Coisas, revela um momento decisivo para o setor no país. Se por um lado os dados confirmam a evolução tecnológica e a ampliação do ecossistema, por outro deixam claro que o principal desafio já não está na disponibilidade de soluções, mas na capacidade de adoção, integração e escala.

Essa mudança de eixo fica evidente logo na composição da pesquisa: 86,9% dos respondentes são fornecedores, enquanto apenas 13,1% são empresas usuárias. Esse desequilíbrio não é apenas estatístico, ele revela um mercado em que a oferta amadureceu mais rápido do que a demanda.

Na prática, isso significa que o Brasil já possui tecnologia, infraestrutura e soluções disponíveis, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar esse potencial em uso disseminado. Esse tipo de cenário costuma gerar um padrão conhecido: há muitos projetos piloto e iniciativas pontuais, mas poucos casos de implementação em larga escala. O IoT funciona, mas ainda não funciona em escala.

Esse ponto ajuda a entender uma segunda mudança importante identificada pelo estudo: a evolução das soluções. Dispositivos conectados e soluções completas aparecem empatados como principais ofertas, ambos com 20,8% das respostas, enquanto plataformas de IoT e conectividade vêm logo atrás, com 13,2% cada.

Mais do que uma distribuição equilibrada, esses números mostram uma transição estrutural. O mercado está deixando de operar de forma fragmentada e caminhando para modelos mais integrados. Isso indica que os fornecedores perceberam que vender apenas tecnologia não é suficiente, é necessário entregar soluções completas, que integrem hardware, conectividade e inteligência em uma proposta única.

Esse movimento está diretamente ligado à dificuldade de adoção. Quando o cliente precisa integrar múltiplos fornecedores, sistemas e tecnologias, a complexidade aumenta e a decisão de investimento se torna mais difícil. Por isso, a busca por soluções end-to-end não é apenas uma evolução da oferta, é uma resposta à necessidade de simplificar a entrada do cliente no IoT.

A conectividade, por sua vez, continua sendo um elemento central, mas aparece também como o principal desafio do setor. 24,5% dos fornecedores apontam a infraestrutura de conectividade como o maior obstáculo, seguida pela dificuldade de escalar soluções (20,8%) e pela adesão dos clientes (17%).

Esses dados mostram que o problema não está apenas em ter rede disponível, mas em garantir qualidade, estabilidade e cobertura adequadas para diferentes aplicações. A conectividade deixa de ser uma camada uniforme e passa a ser definida de acordo com o contexto de uso. Isso aumenta a eficiência das soluções, mas também eleva a complexidade do mercado, exigindo maior capacidade de integração e desenho de arquitetura.

E esse é um dado que nos mostra que fizemos uma escolha assertiva ao olhar para o mercado de maneira diferente há alguns anos. A Virtueyes cada vez mais se torna parceira no desenvolvimento de soluções para os mais diversos setores. Por exemplo, o desenvolvimento da plataforma V.Eye, nasceu exatamente da necessidade que os clientes tinham de enxergar os múltiplos dispositivos conectados em um país com dimensão continental.

Outro ponto central da pesquisa é o papel da Inteligência Artificial. Ela aparece como a principal tecnologia emergente, com 39,6% das respostas, e lidera como tendência de integração com IoT, com 67,2%

Esse dado reforça uma transformação profunda: o IoT está deixando de ser uma infraestrutura de coleta de dados e passando a ser uma plataforma de geração de inteligência. No entanto, a própria pesquisa mostra que essa evolução ainda está em construção. 52,8% das empresas estão desenvolvendo soluções com IA, enquanto 35,8% já as oferecem ao mercado.

Ou seja, há consenso sobre a direção, mas ainda não sobre a execução. A IA já é estratégica, mas sua aplicação em escala ainda está em processo de consolidação.

Se a tecnologia avança, o mesmo não pode ser dito sobre a capacidade de adoção das empresas. Do lado dos usuários, o principal desafio apontado é a falta de conhecimento técnico, com 37,5% das respostas, seguido pela dificuldade de integração com outros sistemas, com 25%.

Esse é um dos dados mais relevantes do estudo, porque desloca o problema do campo tecnológico para o organizacional. As empresas não deixam de adotar IoT apenas por custo ou infraestrutura, mas porque não possuem estrutura interna, conhecimento ou maturidade suficiente para incorporar essas soluções de forma eficiente.

Essa dificuldade se reflete diretamente no tipo de aplicação. O IoT ainda é utilizado majoritariamente para eficiência operacional. O monitoramento de equipamentos lidera com 50% das respostas, seguido pela gestão de dados, com 25%.

Isso indica que o mercado ainda está em um estágio inicial de maturidade, utilizando a tecnologia principalmente para controle e otimização. Aplicações mais estratégicas, que impactam modelo de negócio ou geração de receita, ainda são menos frequentes.

Os dados de investimento reforçam essa leitura. 37,5% das empresas investiram até R$ 100 mil em IoT nos últimos 12 meses, enquanto outros 37,5% não realizaram investimentos.

Esse padrão mostra um mercado ainda em fase de validação, com predominância de testes e projetos de menor escala. Poucos casos atingiram maturidade suficiente para justificar investimentos mais robustos, o que cria um ciclo difícil de romper: sem escala, não há comprovação de valor; sem valor, o investimento não cresce.

Ainda assim, o cenário projetado é positivo. 41% dos respondentes acreditam em crescimento acelerado do IoT, enquanto 47,5% apontam para um crescimento moderado, ainda que com desafios.

Esse equilíbrio entre otimismo e cautela mostra que o potencial do setor é amplamente reconhecido, mas também que sua expansão dependerá da capacidade de superar barreiras estruturais.

No fim, a pesquisa deixa uma mensagem clara. O IoT no Brasil não enfrenta mais um problema de tecnologia. Ele enfrenta um problema de maturidade de mercado. A capacidade já existe. O desafio agora é transformar essa capacidade em adoção real, integração eficiente e valor mensurável.

O futuro do setor não será definido por quem desenvolve mais soluções, mas por quem consegue reduzir a complexidade, facilitar a implementação e demonstrar, de forma clara, o impacto do IoT nos resultados das empresas. 

É nesse momento que o IoT deixa de ser inovação e passa a ser infraestrutura. E é exatamente nessa transição que o mercado brasileiro se encontra.

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