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IoT em 2026: quando conectividade e dados se tornam estratégia de negócio

Publicado por Mariana Mattos
6 minutos de leitura
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IoT em 2026: quando conectividade e dados se tornam estratégia de negócio

IoT em 2026: quando conectividade e dados se tornam estratégia de negócio

*Por Taize Wessner

Durante muitos anos, a Internet das Coisas (IoT – Internet of Things) foi tratada como uma inovação promissora, mas ainda experimental. Em 2026, essa narrativa já não se sustenta. O IoT amadureceu, ganhou escala e hoje ocupa um lugar claro nas decisões estratégicas de empresas que operam em setores intensivos em ativos, energia, logística e serviços financeiros. Não se trata mais de “adotar tecnologia”, mas de estruturar operações mais eficientes, seguras e sustentáveis a partir de dados em tempo real.

Esse movimento é respaldado por números concretos. Estudos da IoT Analytics indicam que o mundo deve ultrapassar a marca de 30 bilhões de dispositivos IoT conectados até 2026, com crescimento concentrado justamente em aplicações industriais, energia, rastreamento e automação. Quando falamos em cifras, a McKinsey & Company estima que o impacto econômico do IoT pode alcançar US$ 12 trilhões por ano até o final dessa década, com ganhos diretos em produtividade, redução de perdas e novos modelos de negócio.

Ao acompanhar de perto projetos em diferentes setores, fica evidente que o IoT deixou de ser um “projeto de inovação” e passou a ser infraestrutura crítica de operação.

Da tecnologia à decisão: o papel do Edge Computing e do IIoT

Virtueyes Conectividade IoT

No ambiente industrial, o avanço do IIoT (Industrial Internet of Things) está diretamente ligado à capacidade de transformar dados em decisões rápidas. Sensores instalados em máquinas, veículos e ativos críticos coletam informações contínuas sobre desempenho, consumo e risco. Cada vez mais, esses dados são processados por Edge Computing — ou computação de borda —, que realiza análises localmente, reduzindo latência e dependência da nuvem.Segundo a Gartner, mais de 50% dos dados gerados em ambientes industriais serão processados na borda até 2026, especialmente em operações onde tempo de resposta, segurança e disponibilidade são fatores críticos. Esse movimento muda a lógica operacional: o IoT deixa de apenas “mostrar o que aconteceu” e passa a orientar o que deve ser feito.

Usinas, indústrias e energia: eficiência mensurável

Em usinas de açúcar e etanol, bem como em plantas industriais de grande porte, o IoT se consolida como aliado direto da eficiência operacional. Monitoramento de vibração, temperatura e pressão permite manutenção preditiva, reduzindo paradas não planejadas e aumentando a vida útil dos equipamentos. A conectividade, nesses casos, costuma ser garantida por redes privativas ou 5G, que oferecem maior controle e confiabilidade.

Relatórios da GSMA Intelligence mostram que o uso de redes privativas industriais cresce a taxas superiores a 40% ao ano, impulsionado por setores como agroindústria, energia e mineração. Além do ganho produtivo, essas soluções se tornaram essenciais para atender critérios ESG (Ambiental, Social e Governança), permitindo medições contínuas de consumo energético, água e emissões — dados cada vez mais exigidos por investidores e agências reguladoras.

No setor de energia, o IoT é a base das Smart Grids (redes inteligentes). Medidores e sensores conectados viabilizam balanceamento de carga, resposta à demanda e rápida identificação de falhas. A International Energy Agency aponta que a digitalização do setor elétrico pode reduzir perdas técnicas e operacionais em até 25%, além de acelerar a integração de fontes renováveis. Aqui no Brasil, a gente está acompanhando de perto essas mudança. Os medidores residenciais, por exemplo, já estão sendo trocados por novos conectados, que permitem à concessionária olhar o consumo remotamente, bem como ser mais ágil na resposta às quedas de energia, que tem se apresentado como uma questão crítica em capitais como São Paulo.

Mineração, rastreamento e segurança operacional

Poucos setores ilustram tão bem o valor do IoT quanto a mineração. Ambientes extremos, ativos de alto valor e riscos humanos elevados tornam a conectividade um fator de segurança imprescindível. Sensores monitoram gases, estruturas, localização de trabalhadores e equipamentos em tempo real, muitas vezes utilizando conectividade híbrida — combinando redes privadas terrestres e IoT via satélite.

Estudos da Deloitte indicam que iniciativas de IoT e automação podem reduzir acidentes em até 20%, além de trazer maior previsibilidade à operação.

O mesmo ocorre no rastreamento veicular e de ativos, que evoluiu do simples GPS para plataformas completas de telemetria. Tecnologias como eSIM (SIM eletrônico) e Multi-IMSI garantem conectividade contínua, independentemente da operadora ou do país. De acordo com a ABI Research, o mercado global de gestão de frotas deve ultrapassar US$ 80 bilhões até 2026, impulsionado por eficiência logística, redução de custos e exigências ambientais.

Esse é um mercado que eu acompanhei a evolução bem de perto e vi como evoluiu nos últimos anos. Rastreamento hoje vai além da localização GPS. Os veículos possuem diversos sensores que monitoram o movimento do motorista, alertam sobre o desvio da rota, sobre abertura de portas ou qualquer movimento que seja importante para a segurança das pessoas e do veículo.

Meios de pagamento: quando o IoT cria novos canais de receita

Um dos movimentos mais interessantes acontece na interseção entre IoT e finanças. Máquinas autônomas, vending machines e pontos de venda não assistidos viabilizam os chamados pagamentos invisíveis e o conceito de embedded finance, quando o pagamento acontece de forma integrada à experiência, sem atrito.

Aqui no Brasil ainda assistimos ao crescimento dos POSs, que são aquelas maquininhas de cartão. Acreditava-se que elas iriam desaparecer com a evolução dos dispositivos móveis, mas o que aconteceu na prática é que elas ganharam outras funções que auxiliam principalmente na gestão do varejo brasileiro. E por essa razão, eu trouxe como destaque como tendência para esse ano.

E a McKinsey & Company comprova! Eles destacam que os pagamentos digitais integrados a dispositivos conectados estão entre os segmentos de maior crescimento do setor financeiro, criando novas fontes de receita e ampliando o alcance dos meios de pagamento tradicionais.

Uma mudança definitiva de mentalidade

O que une todos esses setores é uma constatação simples: IoT não é mais sobre tecnologia, é sobre estratégia. Empresas que tratam conectividade, dados e inteligência embarcada como infraestrutura essencial ganham eficiência, previsibilidade e vantagem competitiva. As que adiam essa decisão assumem riscos crescentes, operacionais, financeiros e regulatórios.

Em 2026, falar de IoT é falar de produtividade, segurança, sustentabilidade e crescimento. E, cada vez mais, é falar de negócio.

*Taize Wessner é presidente da Virtueyes, operadora de Telecom dedicada a projetos de IoT.

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